7 de março de 2014
6 de março de 2014
Quando envelhecer vou vestir púrpura
Estava na sala de espera da fisioterapia, a ler uma revista onde o Paulo Coelho fazia referencia a este poema. Poema que eu li há tanto tempo que já nem me lembro quando, mas que não sei porquê associo a momentos bons, a infância, e à minha irmã.
Quando envelhecer vou usar púrpura (de Jenny Joseph)
Quando envelhecer vou usar púrpura com
chapéu vermelho, que não combina
nem fica bem em mim
Vou gastar a pensão em uísque e luvas de verão
e sandálias de cetim - e dizer que não temos
dinheiro para a manteiga
Vou sentar na calçada quando me cansar e devorar
as ofertas do supermercado, tocar as campainhas
e passar a bengala nas grades das praças
e compensar toda a sobriedade da
minha juventude
Vou andar na chuva de chinelos, apanhar flores
no jardim dos outros e aprender a cuspir.
Vou usar camisas berrantes e engordar sem culpa
comer um quilo de salsichas de uma vez
ou só pão com pickles a semana inteira
e jcolecionar canetas e lápis e bolachas de cerveja em caixinhas.
Mas agora tenho de usar roupas que me deixam seco, pagar o aluguer,
não dizer palavrões na rua e ser um bom exemplo
para as crianças
Tenho de ler o jornal
e convidar amigos para jantar
Mas quem sabe eu devia começar já?
Assim os outros não vão ficar chocados demais
quando de repente eu ficar velha
e começar a vestir púrpura.
5 de março de 2014
Conversa com a menina da caixa
(sobre nascerem mais meninos que meninas)
Ela:"Quando o meu filho nasceu, era o único menino na enfermaria!"
Eu: "Isso vai ser bom para ele quando for mais velho! A não ser, claro, que seja gay..."
Ela: "Ai credo, nem me diga isso!... Quer dizer, também há coisas piores... antes gay que drogado!"
Ela:"Quando o meu filho nasceu, era o único menino na enfermaria!"
Eu: "Isso vai ser bom para ele quando for mais velho! A não ser, claro, que seja gay..."
Ela: "Ai credo, nem me diga isso!... Quer dizer, também há coisas piores... antes gay que drogado!"
14 de fevereiro de 2014
Dia dos namorados
Não devia, mas vou só acabar de escrever isto e passar dois filmes para uma pen e vou num instante fazer um bolo de chocolate, enfiar-me no sofá com os meus dois gatinhos e passar o resto da tarde a ronronar com eles, ver filmes, comer bolo, beber chá e tudo isto com uma mantinha de lã nos pés.
É demasiado estranho adorar estes meus dias de S. Valentim solitários?
É demasiado estranho adorar estes meus dias de S. Valentim solitários?
10 de fevereiro de 2014
"Estima-se que os homens que beijam as suas esposas ao se despedir, antes de sair de casa, vivem cinco anos mais e ganham salários melhores que aqueles que apenas batem a porta. Têm ainda menos acidentes de trânsito".
Para quem achou alguns itens da minha lista muito exigentes (nomeadamente o 28!) e que gozou comigo à brava (excepção à minha amiga Maria!), fica aqui a minha defesa: estava a zelar apenas pela longevidade, riqueza e integridade física do meu futuro marido!
Para quem achou alguns itens da minha lista muito exigentes (nomeadamente o 28!) e que gozou comigo à brava (excepção à minha amiga Maria!), fica aqui a minha defesa: estava a zelar apenas pela longevidade, riqueza e integridade física do meu futuro marido!
13 de janeiro de 2014
Amour
Em plena época de exames (ainda me faltam 3 exames - um dos quais amanhã - e uma revisão da literatura, oh yeah!) precisava de alguma coisa para me distrair e apetecia-me ver um dos filmes que já tenha na calha há algum tempo. Como quero ver filmes em francês (vou fazer um exame em setembro) a minha escolha caiu sobre Amour, de Michel Haneke.
Normalmente, vejo filmes como quem come rebuçados: saboreia-se no momento, sabe bem, e venha o próximo. Não é costume que os filmes me toquem de uma maneira especial ou sequer que fique a pensar neles. Não foi o que aconteceu com este filme. Queria um filme para me distrair e descontrair. Também não foi o que consegui, mas foi muito melhor!
O filme é sobre um casal de idosos - George e Anne - cuja esposa teve um problema no coração. Como a operação corre mal, fica paralisada do lado direito. Todo o filme mostra a evolução da doença e a dedicação constante do marido para com a esposa.
O filme chama-se Amour. Amor, em português. E ao longo de todo o filme nunca se fala de amor. Nunca se vê um beijo ou um simples "gosto de ti". Mas ninguém duvida do amor entre aquele casal, palpável e profundamente enternecedor. O final deixou-me arrepiada, confusa e angustiada.
Muito bom mesmo. Contudo, tem alguns aspetos negativos: a lentidão nalgumas cenas é exasperante e, na maioria das vezes, na minha modesta opinião de quem não percebe nada de cinema nem tem pretensões disso (e este filme ganhou a Palme d'Or de Cannes), completamente desnecessária. Infelizmente, é característica comum no filmes que já vi que ganharam a Palma. Não sei se é padrão ou condição necessária do prémio, mas para mim é extremamente irritante, ou então demasiado para o meu espírito acelerado.
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| Palme d'Or, a deixar irritados vários espetadores desde 1955 |
Quase fiquei arrependida de o ter visto, pois ficou-me mesmo a mexer na cabeça e não paro de pensar nele. Aconteceu o mesmo à minha mãe, e passámos parte da hora de almoço a falar sobre ele. Aquele filme retrata a vida, fez-me pensar na velhice em geral, na velhice de pessoas (queridas e menos queridas) com quem tive ou tenho contacto, na nossa própria velhice, nas características que devo procurar num futuro marido (mais coisas a juntar à lista...), no sentido da vida, na eutanásia, no que é, afinal, o amor e o casamento. Em demasiadas coisas para uma época de exames stressante, mas que teve a coisa boa de me fazer relativizar.
E depois, é tão raro ver pessoas "a sério" no ecrã. E velhos. Normalmente, os filmes são sempre sobre gente nova e gira, ou então ridiculamente feia. Raramente se vê filmes com pessoas reais.
Também aparece por lá a Rita Blanco, o que para mim foi uma surpresa, e uma surpresa agradável!
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| Gosto muito desta senhora! :) |
2 de janeiro de 2014
O Véu Pintado - filme e livro, assim, tudo de seguida para começar bem o ano!
Todos já sabem (aqui e aqui) que eu adoro o Maugham quase de paixão, quase como uma doença, ali a roçar a obsessão. Eu simplesmente venero o homem, ou melhor, o que ele escreve. Ou melhor ainda, o homem que ele deixa transparecer que era por detrás do que escrevia. Não sei se foi perceptível, mas cá fica a ideia.
O meu amigo Hélder - que é sem dúvida o melhor amigo que alguém pode ter, pois ouve sempre o que eu digo e, mais espectacular de tudo, na grande maioria das vezes (quase que me arrisco a dizer "sempre", mas seria demasiada petulância) está de facto a prestar atenção - ofereceu-me no meu aniversário o livro O Véu Pintado do Maugham. Claro que o devorei rapidamente e claro que a minha parte favorita foi o prefácio. Na capa apareciam dois actores, portanto deduzi haver um filme do livro, e de facto assim era. Apressei-me a sacá-lo da net arranjá-lo de uma maneira completamente legal mas o raio do bicho não corria de maneira nenhuma. Felizmente, na feira de Oeiras onde costumo vender doces a minha irmã encontrou o DVD por 2 euros, mas como não tinha DVD, só o pude ver agora. Ontem, para ser mais precisa.
O que as duas coisas têm em comum - livro e filme - é que ambos me deixaram desapontada. Esperava mais do livro, esperava mais do filme. Outra coisa que eles também têm em comum é que são ambos muito bons ainda assim.
A história é sobre uma mulher (Kitty) casada à pressa com um bacteriologista destacado em Hong Kong (Walter), por medo de ficar solteira para sempre. Aborrecida num casamento com um homem com quem não tem nada em comum, toma como amante Charles Towsend, o secretário colonial adjunto. Quando o marido descobre, tem a atitude peculiar de viagem rumo a Mein Tan-Fu, onde está a dar-se a maior epidemia de cólera dos últimos anos sobre o pretexto de trabalho. Lá têm como único vizinho um homenzinho muito interessante chamado Waddington, que é a minha personagem preferida, e a Kitty vai-se dedicar a ajudar um grupo de freiras francesas que dirige o orfanato local.
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| Olhem para eles, tão queridos! Parecem tão felizes, não parecem? Pois é, não são! |
Gosto muito da história e ainda gosto mais da maneira como está contada. Adoro histórias trágicas e estranhas, mas escritas com aquele humor irónico que é característico do Maugham. Acho que é dos poucos livros que li em que nenhuma das personagens é, por assim dizer, boa pessoa (mas isso também é quase regra no Maugham). O filme, apesar de muito interessante, afasta-se por vezes bastante do livro, o que me irrita sempre nos filmes baseados em obras. Não gostei nada que tivessem alterado completamente a minha cena preferida no livro para uma cena sensaborona no filme (não vos vou dar mais pormenores, porque não quero estragar surpresas). Mas são coisas que acontecem!´
Veredicto: Leiam o livro, mas assegurem-se que tem o Prefácio! E depois, se estiverem interessados, vejam o filme.
E aqui têm o trailer, para quem quiser ver (para não variar revela de mais o filme mas ainda assim está dentro dos meus limites do aceitável)
29 de dezembro de 2013
Tenho um leitor de DVD!!!
As minhas preces foram ouvidas! Dia 25, ao chegar a casa, tinha uma tv nova (que dá para pôr uma pen atrás, OMG OMG!) e um leitor de DVD's que lê também VHS :D :D :D
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| É assim, mais coisa menos coisa. Não reparei na marca, que para mim é tudo igual! |
Passei de não ter nada para ter tudo. Como disse um amigo meu, aterrei finalmente no séx. XXI!
Não consigo conter o meu entusiasmo! Mas logo a pouca sorte de estar atolada em coisas para fazer (nas quais se inclui a preparação de 5 exames) e não puder matar as saudades das minhas cassetes à vontade! Apetece-me pegar na coleção da Heidi e ir da primeira à última.E fazer o mesmo com a coleção do Marco. E das histórias da Bíblia para Crianças. E revoltar os armários à procura do Corcunda de Notre Dame, que não encontro em lado nenhum.
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| My precious! |
Como isso não pode ser, contento-me em ver as coisas às prestações. Assim, já vi a cassete da minha Primeira Comunhão (éramos tão fofinhas! E a quantidade de gente conhecida que se vê por lá, que na altura ainda era desconhecida?), de Fátima (um filme com a Catarina Furtado e o Diogo Infante) e o primeiro episódio da Heidi e do Marco. O Jardim Secreto, o meu filme favorito de todos os tempo, está para breve.
Esta é capaz de ter sido a melhor prenda de todos os tempos.
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| Tão lindos *.* |
8 de dezembro de 2013
The object of mt affection - Muito mais que amigos
Sábado à noite. 22h. Eu e a minha mãe sozinhas em casa, em modo "forever alone", ainda a recuperar psicologicamente de uma ida à Primark (compras de Natal) ao fim-de-semana (não aconselho). Apetecia-me ver um filme, mas CONTINUO SEM TER DVD e sem uma TV que se possa ligar a pen.
Subitamente, lembrei-me que à tarde tinha dado na FoxLife o filme "Quatro Casamentos e um Funeral". Muito recente, eu sei, mas tem o Hugh Grant! Nunca me canso de ver filmes do Hugh Grant. A minha mãe, infelizmente, não partilha a mesma opinião, portanto fui ver os filmes que tinham dado durante a semana na FoxLife. Mortes, feridos, um filme de terror, adaptação de um Nicholas Sparks (blhac) e este. Fui ver à descrição: "Blá blá blá amigo gay blá blá blá amiga grávida blá blá blá" e a minha mãe. "ó Ana, este deve ser giro! E tu gostas de coisas sobre gays!".
E eu gosto, é verdade. Mas não filmes! Normalmente, quando fazem um filme em que é suposto as personagens serem homossexuais (exceção feita a Maurice, obviamente, que eu adoro aquele filme! E ainda por cima tem o Hugh Grant *.* ) são sempre uma atrocidade. As mulheres são todas representadas como machonas e os homens todos abichanados. Ou então a história é merdosa, como em Brokeback Mountain. Enfim.
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| Às vezes acho que a minha família me vê assim. |
Mas neste filme contraria a tendência. Já é antigo (1998) mas ainda se vê muito bem. A história é sobre uma mulher, a Nina (Jennifer Anniston) que se apaixona pelo seu melhor amigo e colega de casa - mas que infelizmente é gay - George (Paul Rudd). Entretanto fica grávida do namorado (que entretanto também se torna ex-namorado) Vince (John Pankow), e decidem entre os dois criar uma família moderna, dois amigos que moram juntos a criarem um bebé.
A história a certa altura começa a parecer tão fantasiosa que não me admiraria que a meio do filme nascessem umas asas às personagens e elas começassem a voar. Sei que durante metade do filme na minha cabeça só se ouvia "Não acredito nisto...", "Não percebo nada disto..." e "WTF?!..." Mas não deixa de ser bastante tocante (eu sou uma lamechas no que toca a filmes sobre a amizade, também adoro O Casamento do Meu Melhor Amigo...) e gostei muito do final. E gostei especialmente do sentido de humor ao longo de todo o filme, já para não falar das personagens não estereotipadas, que é sempre um aspeto refrescante. Tem cenas muito engraçadas, e todas as personagens estão bem construídas e com relativa complexidade.
Enfim, gostei! Aqui vai o trailer:
6 de dezembro de 2013
Red Lipstick Day
Digo a brincar que tenho um homem interior (um homem gay!). Gosto de usar vestidos, cozinhar e costurar, mas depois acabam-se todos os estereótipos femininos (também não gosto de futebol, vá, e não sei pregar pregos na parede. Nem abrir frascos. Essas coisas). Não uso brincos, salvo ocasiões especiais ou quando o furo está na iminência de fechar, estou sempre despenteada, estou sempre a cair e não sei andar como uma senhora, não falo como devo ser, tenho risos estridentes, não pinto as unhas, não corto cutículas, nunca fui a nenhuma manicure ou pedicure, não gosto de saltos altos, sou a favor da redução da depilação ao mínimo essencial, não pinto o cabelo, não faço madeixas e, acima de tudo, abomino maquilhagem.
O meu estojo de maquilhagem (estojo, lol, está tudo ao molho numa gaveta) reduz-se a base, pó e eyeliner. Fim. Também tenho um lip gloss (mas que raramente uso) e ponho batom do cieiro com regularidade, mas isso não sei se conta. Por isso, quando a Lénia, do blogue not so fast lançou o desafio do Red Lipstick Day (informações aqui e aqui) não pude participar: não tinha batom de espécie alguma, quanto mais batom vermelho! Mas durante este mês tratei disso, chateei até à exaustão as colegas da faculdade para aderirem ao dia e pronto, pus batom vermelho!!!
É incrível a mudança que um simples batom faz numa pessoa, aquilo parece a capa do super homem, a gente põe e sente-se outra. Até parece que caminhamos mais direitas. No inicio do dia estranhei, parecia uma prostituta, "onde é que já se viu uma mulher
Adorei a experiência. Tive a confiança nos píncaros o dia inteiro. Não sei se fiquei mais bonita, mas senti-me mais bonita. Senti-me bonita, aliás. Sem o mais. Não é que normalmente me sinta feia, nada disso, mas no dia-a-dia acho que ando sempre a roçar o normal. Também com semanas tão cansativas a verdade é que não resta grande tempo para divagações se nos achamos bonitas ou feias... E ao fim do dia, com olheiras até ao umbigo e cabelo desgrenhado, a babar-me enquanto durmo no comboio, duvido muito que esteja atraente!
A repetir. Todos os meses. Talvez até mais do que apenas na primeira sexta-feira de cada mês. Quem alinha???
| Nunca tirem fotos de manhã. Os olhos inchados de sono não são fotogénicos |
| Nem acredito que consegui convencer algumas colegas a aderir! Sou a de casaco cinzento. |
2 de dezembro de 2013
Os sonhos do mês voltaram!
Vou tentar ser fiel e escrever os meus sonhos do mês de Dezembro. Se forem tão abundantes e cómicos como os que tive durante o mês de Novembro, vai ser uma experiência interessante!
17 de novembro de 2013
O Mestrado
Quando entrei para a faculdade não me imaginava como psicóloga. Era apenas uma pessoa que gostava muito de psicologia, e que apesar de se ver noutras profissões (enologia, por ex.!), o facto mesmo é que estava completamente apaixonada sobre os temas relacionados com o mundo mental.
E ainda estou, na verdade. E cada vez mais. Gostei muito do curso, mas no ultimo ano (principalmente devido à alteração do plano de estudos) estava mais desmotivada. Também não me imaginava a dar consultas. Gostava de psicologia, mas queria ter um papel mais direto na promoção da saúde, não queria só "tratar doenças". Também não achava que o individuo devia ser encarado isoladamente, mas sim de uma forma sistémica. E queria estar no campo, "onde as coisas acontecem", e não apenas fechada num consultório - por isso, a escolha do mestrado foi das decisões mais fáceis que já tomei.
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| Visão sistémica. |
E o mestrado é completamente diferente. Levantar-me às 7h da manhã custa menos porque sei que me esperam aulas entusiasmantes. Daquelas que dão vontade de me formar amanhã e começar logo a trabalhar. E trabalhos como o que estive a fazer hoje (que começa a ganhar forma), com temas que me dão vontade de fazer mestrado, doutoramento, pós-graduações e tudo o mais que houver, e que me fazem sentir que sou capaz de mudar o mundo. E que me fazem sonhar com o estágio curricular, com o estágio profissional (sim, sou doida ao ponto de já ter pensado no sitio!), com o meu trabalho. Mas que também me fazem sentir insegura ao tomar consciência do pouco que sei e do quanto me falta aprender.
Antigamente preocupava-me com as notas, com a média, com a época de exames. Neste momento, apesar de ainda serem preocupações relevantes, estão a ser ultrapassadas por preocupações muito mais reais, como por exemplo "e se eu não tiver jeito?", "e se eu for uma péssima psicóloga?", "e se prejudicar alguém?" e, não menos importante, "e se não arranjar emprego?".
Estou a aproveitar o momento, mas a verdade é que mal posso esperar :)
13 de novembro de 2013
Aceitam-se currículos - a minha lista de marido ideal
A minha bisavó diz-me muita vez (ainda me disse no sábado) que eu nunca me vou casar porque sou muito esquisita e que por isso estou condenada à solteirise inveterada, trinta gatos e tudo o mais incluído no pacote.
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| Eu, segundo imagina a minha bisavó. |
A verdade é que não é algo que eu queira: sim, gostava de encontrar alguém que durasse o resto da minha vida toda. Acredito nos relacionamentos para toda a vida e não vejo mal nenhum em querer isso para mim. Sempre me pareceu muito parvo e hipócrita as mariquices de algumas mulheres que põem no facebook (e criam páginas, senhores!) sobre os homens serem assim e assado, e que estar solteira é que é bom, que nunca vão querer casar na vida, que isto e mais aquilo e depois a grande maioria vai-se a ver e chora todos os dias com a cabeça enterrada na almofada.
E para quem acha que não, que me diga, explicitamente e do fundo do coração, que quer acabar sozinha(o). Se houver alguém que pensa assim, que diga sem medos - mas dificilmente eu acreditarei.
Mas principalmente desde que entrei para o mestrado, e principalmente às segundas-feiras (em que tenho Mediação Familiar - divórcios e tal) e oiço às vezes coisas impensáveis de serem feitas e ditas a um ser humano, quanto mais a um ser humano que um dia se amou, chego mesmo à conclusão que posso querer arranjar alguém para a minha vida, mas que mais vale só que mal acompanhada.
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| Não quero isto, obrigada. |
E foi assim que cheguei à conclusão que, apesar de não querer, não tenho medo de acabar sozinha. Que, mais do que me medo de ficar sozinha, tenho um terrível pavor de um dia acordar e perguntar a mim própria "O que fui eu fazer? Foi este o homem com quem casei???". Às vezes sonho que me estou a casar com alguém que não conheço, e acordo a tremer, alagada em transpiração - eu quero alguém muito especial, não quero um qualquer e muito menos um desconhecido!
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| Tipo, not. |
Por isso a minha avó tem razão - sou esquisitinha. Mas esperançosa: por contra o que a minha amiga Ana me disse para não fazer nunca, jamais, em tempo algum, vou fazer a minha...
Lista de marido ideal:
- Goste de fazer massagens mas não goste muito de as receber
- Cheire bem
- Saiba dançar
- Goste de gatos
- Goste de cobras
- Goste de bichinho de conta e joaninhas
- Queira ter filhos (mas não mais de dois)
- Goste de viajar
- Goste de jogar às cartas e jogos de tabuleiro mas não me chateie se fizer jogadas burras.
- Não ressone ou faça barulhinhos a respirar enquanto dorme
- Goste de ler
- Goste de estar em silêncio e não se sentir desconfortável com ele
- Goste de falar
- Tenha sentido de humor (mas não dizer gracinhas de propósito)
- Não se canse facilmente
- Goste de ir comprar roupa (assim compra a minha e eu escuso de voltar às compras na minha vida!)
- Não goste de cozinhar (a cozinha é MINHA!)
- Goste de limpar e arrumar, mas não seja obcecado com as limpezas - toda a gente sabe que alguma vitamina M é essencial a uma vida saudável.
- Não tenha mimimis para se sentar na relva, que adopte a regra dos 5 segundos quando alguma coisa comestível cai ao chão e consiga improvisar uma colher com a tampa do iogurte - e outras coisas do género.
- Não seja esquisito com a comida e gostar de experimentar novos alimentos.
- Goste de usar camisolas de lã no inverno
- Seja desenrascado
- Não ache foleiro os meus post-its no espelho da casa de banho, com palavras fofinhas de bom dia.
- Não me faça surpresas que envolvam mais pessoas que eu e ele
- Adore as minhas manias
- Não tenha medo por eu ser sonâmbula
- Que goste de discutir as coisas em que não estivermos de acordo
- Que não saia de casa sem me dar um beijo (se for na testa, tanto melhor).
- Que goste de abraços
- Que diga que gosta de mim pelo menos uma vez por dia
- Que me faça sentir bonita e que me ache sexy mesmo de pijama polar e pantufas com bonecos
- Que não tenha preguiça ou medo de trabalhar seja no que for
- Que saiba pregar um parafuso, mudar uma lâmpada, pintar uma parede, mudar um pneu - coisas assim.
- Que me consiga abrir os frascos
- Goste de grandes passeios ao ar livre
- Goste de viajar, mesmo por Portugal a fora
- Não goste (ou não gostar muito...) de praia
- Não tenha complexos por ser gordo, magro, vesgo, coxo - eu não quero mesmo saber. A sério!
- Acredite na fidelidade e na monogamia
- Que não ligue muito a telemóveis, computadores e coisas estranhas touch
- Que goste de ver filmes de todos os géneros, incluindo (e principalmente!) os de animação.
- Que me faça companhia ao serão - cartas, filmes, massagens, etc. em vez de computador, facebook, trabalho e outras m*****.
- Que não seja workhaolic
- Não precisa ser nenhum Einstein mas precisa de conseguir manter uma conversa acerca de temas interessantes e desconhecidos para mim, e que perceba as minhas piadas que incluam algumas coisas de cultura geral.
- Que goste das minhas futuras tatuagens, inclusivamente aquela do Harry Potter que quero fazer
- Que tenha uma mãe simpática e pouco controladora
- Que goste dos meus amigos
- Que queira partilhar os seus amigos comigo
- Que eu goste dos seus amigos
- Que seja meu amigo
* lista em expansão...*
Fator eliminatório:
- Não posso estar apaixonada por ele, nem ele estar apaixonado por mim (ninguém toma decisões acertadas apaixonada, mas também a paixão dura 18 meses no máximo, é questão de esperar).
Em caso de empate, vou privilegiar:
- Pêlos no peito, especialmente se fizerem um carreiro no umbigo *.*
- Ter olhos amendoados ("à chinês")
- Ser ruivo
- Ter sardas ou muitos sinais
- Ter os olhos escuros
- Gostar de palavras cruzadas
- Tenha uma religião
- Tenha os dentes direitinhos
Aceitam-se currículos. Não necessita fotografia.
8 de novembro de 2013
A Vida de Pi
Nunca pensei proferir (ou escrever...) estas palavras, mas aconteceu: o meu livro preferido já não é o Fio da Navalha, foi destronado pel' A Vida de Pi.
Até Março passado, não fazia ideia quem era o Pi, quanto mais o que era a vida dele. Mas o meu amigo Luis fez anos e fomos todos ao cinema ver a Vida de Pi.
Que se tornou um dos meus filmes preferidos de todo o sempre. Onde fiquei pregada à cadeira de tão fantástico que foi. Onde o tempo parou e fiquei completamente absorvida pelo filme, o que já não acontecia há anos. Fora a minha irmã, foi um filme que não foi muito apreciado pelos meus amigos, mas ficou num lugar bem especial do meu coração.
Como a terra do meu pai fica colada a Espanha e dali até Zamora é um saltinho, vamos sempre lá mais do que uma vez. É a única altura em que gosto de ir às compras, pois posso comprar coisas que não há cá (orchata, chá de menta e chocolate, bolinhos da Dulcesol...) e posso ficar meia hora (ou mais...) de volta dos livros de bolso. E olhem que na Espanha há imensoooos livros de bolso, é mesmo por cada livro editado sai uma versão em livro de bolso, muitas vezes a menos de metade do preço. E foi assim que o livro d'A Vida de Pi veio parar às minhas mãos.
Não sei o que possa dizer sobre este livro, a não ser pedir que o leiam! A história é sobre um rapaz indiano o Pi (com uma historia de nome muito engraçada!), cujo pai é dono de um Jardim Zoológico, que ao partir para o Canadá com a sua familia o barco afunda-se, ficando sozinho num barco salva vidas com um tigre de bengala. E mais alguns animais, ao inicio. O resto, vão ter de descobrir sozinhos.
A minha parte preferida? Não consigo escolher, mas gostei muito do inicio, quando PI quer integrar em si todas as religiões. Acho que me revi
E pronto, é isto. Um livro profundo, sem pretensões, com uma linguagem muito simples, com uma narrativa leve e um sentido de humor apuradíssimo. De outra maneira não gostaria dele, se se pusesse a discorrer sobre o sentido da vida, se fosse moralista e se pusesse a brincar com as palavras, petulantemente, demorando uma página para dizer o que poderia ser dito numa linha. É um livro à minha maneira.
Leiam-no. E vejam o filme! E, pela primeira vez, a ordem pode ser ao acaso - não tira a magia nem do filme, nem do livro.
Mas continuo apaixonada pelo Fio da Navalha :)
2 de novembro de 2013
Tatá!
Isto está a tornar-se um hábito: fico mil anos sem escrever, volto a escrever dois ou três posts, volto a desaparecer outra vez. E isto passa de um blogue auto-centrado cheio de conversa de chacha para um blogue igualmente auto-centrado e cheio de conversa-de-chacha, mas de posts esporádicos. Com publicações mais ou menos com o mesmo intervalo que o aparecimento o cometa Halley...
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